Blog

AGO06
FIV com Útero Bicorno ou Septado: Operar Antes?  0

FIV com Útero Bicorno ou Septado: Operar Antes?

Postado por Dra. Paula Ferreiro

FIV com Útero Bicorno ou Septado: Operar Antes?

FIV com útero bicorno ou septado: preciso operar antes de tentar engravidar?

Receber o diagnóstico de útero bicorno ou útero septado costuma gerar muitas dúvidas, especialmente quando existe o desejo de engravidar ou quando a mulher está se preparando para uma fertilização in vitro (FIV). Uma das perguntas mais frequentes nesse momento é: será que preciso fazer uma cirurgia antes de tentar a gravidez?

A resposta nem sempre é simples. Embora ambas sejam classificadas como malformações congênitas do útero, elas apresentam características bastante diferentes e podem ter impactos distintos sobre a fertilidade, a implantação embrionária e a evolução da gestação.

Por isso, antes de qualquer decisão, é fundamental compreender exatamente qual alteração está presente e como ela pode influenciar o planejamento reprodutivo.

O que são o útero bicorno e o útero septado?

Durante o desenvolvimento fetal, o útero é formado pela união de estruturas chamadas ductos müllerianos. Quando esse processo não acontece de maneira completa, podem surgir alterações anatômicas conhecidas como malformações uterinas congênitas.

Entre as mais frequentes estão o útero bicorno e o útero septado, condições que muitas vezes são confundidas, mas que possuem diferenças importantes.

O útero bicorno apresenta uma divisão externa do órgão, fazendo com que ele adquira um formato semelhante a um coração. Nessa condição, existe uma separação parcial entre as cavidades uterinas devido a uma falha na fusão dos ductos durante a formação do útero.

Já o útero septado possui um contorno externo geralmente normal, mas apresenta uma membrana interna chamada septo, que divide parcial ou totalmente a cavidade uterina. Essa diferença anatômica é extremamente importante porque o septo pode interferir diretamente na implantação do embrião.

O diagnóstico correto é essencial, pois as condutas e os tratamentos podem ser completamente diferentes para cada situação.

Essas alterações causam infertilidade?

Nem sempre.

Muitas mulheres descobrem que possuem uma malformação uterina apenas durante exames de rotina ou ao iniciar uma investigação de infertilidade. Em diversos casos, a gravidez pode acontecer naturalmente e evoluir sem intercorrências.

No entanto, dependendo da extensão da alteração anatômica, podem surgir dificuldades relacionadas à reprodução, incluindo falhas de implantação, abortamentos espontâneos, parto prematuro e algumas complicações obstétricas.

De maneira geral, o útero septado costuma ter um impacto maior sobre a fertilidade e sobre a manutenção da gestação do que o útero bicorno.

Isso acontece porque o tecido que forma o septo apresenta vascularização reduzida quando comparado ao tecido uterino normal. Se o embrião se implanta nessa região, as chances de uma evolução adequada da gravidez podem ser menores.

O útero bicorno reduz as chances de sucesso da FIV?

Na maioria dos casos, não.

O útero bicorno normalmente não interfere na qualidade dos óvulos, na fertilização dos embriões ou no desenvolvimento embrionário dentro do laboratório. Portanto, as etapas iniciais da fertilização in vitro geralmente não são afetadas por essa condição.

A principal preocupação costuma estar relacionada à evolução da gravidez após a implantação do embrião. Dependendo do grau da alteração anatômica, pode haver um risco aumentado de algumas complicações obstétricas, como parto prematuro, restrição de crescimento fetal ou apresentação fetal inadequada.

Entretanto, é importante destacar que inúmeras mulheres com útero bicorno conseguem engravidar e ter bebês saudáveis, seja de forma espontânea ou por meio da reprodução assistida.

Por esse motivo, a simples presença de um útero bicorno não significa que uma cirurgia será necessária antes da FIV.

O útero septado interfere na implantação embrionária?

Essa é uma situação diferente.

Diversos estudos demonstram que o útero septado pode estar associado a maiores taxas de falha de implantação e perdas gestacionais recorrentes. Isso ocorre porque o septo possui características estruturais e vasculares menos favoráveis para o desenvolvimento inicial da gravidez.

Quando uma paciente apresenta histórico de abortos de repetição, tentativas frustradas de implantação ou infertilidade sem causa aparente, a investigação da cavidade uterina torna-se ainda mais importante.

Nesses casos, a correção cirúrgica do septo pode representar um passo importante antes da realização da fertilização in vitro, contribuindo para melhorar o ambiente uterino que receberá o embrião.

Preciso operar antes de fazer a FIV?

A resposta depende do diagnóstico preciso.

Quando existe um útero septado, especialmente em casos de septos maiores ou associados a perdas gestacionais recorrentes, falhas de implantação ou infertilidade, a cirurgia pode ser recomendada antes da transferência embrionária.

O procedimento mais utilizado é a histeroscopia cirúrgica, uma técnica minimamente invasiva realizada através da cavidade uterina, sem necessidade de cortes externos. Durante o procedimento, o septo é removido, restabelecendo uma cavidade mais adequada para a implantação e o desenvolvimento da gravidez.

Já no caso do útero bicorno, a cirurgia raramente é indicada. Atualmente, os procedimentos corretivos para essa condição são reservados para situações muito específicas e selecionadas, geralmente quando há histórico obstétrico bastante desfavorável ou alterações anatômicas importantes.

Por isso, uma paciente com útero bicorno frequentemente pode seguir para a tentativa de gravidez ou para a fertilização in vitro sem necessidade de correção cirúrgica prévia.

Como saber qual é o melhor caminho para o meu caso?

O primeiro passo é confirmar o diagnóstico.

Embora pareçam semelhantes em alguns exames, o útero bicorno e o útero septado possuem diferenças anatômicas que exigem uma avaliação detalhada. Felizmente, os métodos diagnósticos atuais permitem uma definição bastante precisa.

Entre os exames mais utilizados estão a ultrassonografia transvaginal tridimensional, a histerossonografia, a ressonância magnética da pelve e a histeroscopia diagnóstica.

Além da anatomia uterina, é fundamental avaliar outros fatores que também influenciam os resultados reprodutivos, como idade da paciente, reserva ovariana, qualidade embrionária, histórico de abortamentos, presença de endometriose, adenomiose e alterações hormonais.

É justamente essa análise global que permite definir se uma cirurgia realmente agregará benefícios ou se a paciente pode seguir diretamente para a tentativa de gravidez ou para a FIV.

Cada paciente precisa de um planejamento individualizado

Uma das maiores preocupações das mulheres que recebem o diagnóstico de uma malformação uterina é imaginar que a gravidez será impossível. Felizmente, isso raramente corresponde à realidade.

Com os avanços da medicina reprodutiva e dos métodos diagnósticos, é possível identificar com precisão quais alterações realmente exigem tratamento e quais podem apenas ser acompanhadas.

A decisão sobre operar ou não antes da fertilização in vitro deve ser baseada em evidências científicas, na história clínica da paciente e em uma avaliação detalhada da anatomia uterina. Quando essa investigação é realizada de forma cuidadosa, é possível aumentar significativamente as chances de uma gestação saudável e evitar procedimentos desnecessários.

A Dra. Paula Ferreiro é ginecologista especialista em reprodução humana, reconhecida por sua atuação pioneira na área e por conduzir casos complexos de infertilidade, falhas de implantação e perdas gestacionais recorrentes com uma abordagem altamente individualizada. Sua ampla experiência em tratamentos de alta complexidade permite identificar os fatores que realmente impactam os resultados reprodutivos, oferecendo estratégias personalizadas para cada paciente.

Com atendimento acolhedor e baseado nas mais modernas evidências científicas, a Dra. Paula Ferreiro realiza consultas presenciais em São Paulo – SP e também acompanha pacientes de todo o Brasil e do exterior por telemedicina. Fluente em inglês e espanhol, oferece suporte completo em todas as etapas da jornada reprodutiva.

Se você recebeu o diagnóstico de útero bicorno, útero septado ou está planejando uma fertilização in vitro, uma avaliação especializada pode esclarecer suas dúvidas e ajudar a definir o melhor caminho para alcançar uma gravidez com segurança. Agende sua consulta e receba um plano de tratamento desenvolvido especificamente para o seu caso.

IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. Agende uma consulta para maiores informações.

Fertilidade e Reprodução Humana

botão Voltar Voltar



Nenhum Comentário foi enviado ainda.

Seja o primeiro a comentar!

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será divulgado. Campos de preenchimento obrigatório marcados com asterisco.

Whatsapp Ginecologista e Obstetra - Dra. Paula  Vieira